Octávio César Augusto

Gaius Julius Caesar Octavianus (63 a. C.-14 d. C.), sobrinho-neto de Júlio César, cujo assassinato se encarregou de vingar, tornar-se-ia, mercê do seu génio político, o primeiro imperador romano. Como Júlio César, viria a fazer parte, logo após a sua morte, do panteão dos deuses de Roma.
Seu pai fora senador e pretor. Morrera, porém, quando Augusto tinha apenas quatro anos de idade. Assim, a sua entrada na vida pública contou sobretudo com o apoio de Júlio César, que, no seu testamento, o tomaria como filho adotivo e herdeiro.
Com tal patrocínio, a carreira política de Augusto foi fulgurante desde o início. Em 43 a. C. formou com Lépido e Marco António o segundo triunvirato, tendo os três homens dividido entre si o governo do território do império. O triunvirato duraria oficialmente dez anos, mas a influência real de Lépido apagar-se-ia antes do termo desse período. Deste modo se tornava evidente a disputa entre Augusto e Marco António pelo domínio de Roma. Em 31 a. C., Augusto declara guerra a Cleópatra, a quem o seu adversário se aliara. Com a conquista do Egito no ano seguinte, Marco António e a rainha suicidar-se-iam. A partir de então, sem rivais a enfrentar, Augusto pôde começar, com um talento político e organizativo ímpar, a dispor de novo as estruturas do império de tal modo que garantia para si o controlo efetivo dos poderes essenciais ao mesmo tempo que mantinha as instituições republicanas. Assim, durante largos anos ostentou apenas os títulos de cônsul e tribuno, não havendo, contudo, dúvidas de que o seu poder era virtualmente ilimitado. Mais tarde assumiria também a direção do culto religioso romano.
Enquanto os seus generais iam alargando os limites territoriais do império, sobretudo no continente europeu, Augusto consolidava o poder central e organizava a administração no que dizia respeito ao emprego de funcionários, à cobrança de impostos, à emissão de moeda e à manutenção da ordem pela frota e pelas legiões de Roma. Desta forma, o exercício do poder absoluto por Augusto coincidiria com uma época de paz e estabilidade interna no império (a chamada pax romana), época bem diferente do período conturbado das guerras civis que a precederam. Época áurea do império em vista da ordem social estabelecida e da extensão territorial alcançada, foi também notável pelas grandes obras realizadas (inúmeros templos foram erigidos, fez-se uma extraordinária rede de estradas) e pelas suas manifestações culturais, sobretudo no campo da literatura, em que se distinguiram autores como Virgílio, Horácio e Tito Lívio.
Augusto César preparou cuidadosamente a sucessão, tendo deixado o governo do império a Tibério Augusto, seu filho adotivo.
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