Pedra de Shabaqo

Shabaqo, ou Shabaka, foi o segundo faraó da XXVª Dinastia (730-656 a. C.), dita Etíope ou Kuchita, no final do Terceiro Período Intermédio (1070-664 a. C.). Ascendeu ao trono depois da morte do seu irmão Pié (730-716 a. C.), que conquistou o Egito a partir de Napata, cidade-estado da Núbia, ou reino de Kuch. Shabaqo governou desde 716 até 702 a. C., tentando consolidar o domínio militar falhado por Pie. Shabaqo conquistou o Baixo Egito, derrotando o seu grande rival, Bakenref (720-715 a. C.), governante da deposta XXIV Dinastia, dita Saíta. A XXV dinastia só começou efetivamente nesta derrota em 715 a. C., embora a invasão em 730 por Pie possa servir também de início. Shabako foi assim o primeiro faraó kuchita desta dinastia. Apesar de não ser egípcio, não deixou de cumular os templos antigos do país, em cidades como Mênfis, Abydos ou Esna, além do grande templo de Karnak, onde mandou fazer um "tesouro".
A arte e arquitetura das dinastias XXV e XXVI revelam um acentuado arcaísmo, com destaque precisamente para o reinado de Shabaqo, onde se destaca a célebre Pedra de Shabaqo (ou Shabaka), atualmente no Museu Britânico, em Londres, Reino Unido. Esta pedra é um relato pétreo da criação do universo pelo deus Ptah, inscrito num bloco de basalto e copiado a partir de um documento antigo comido por caruncho. Trata-se de um monumento literário em pedra com um dos mais antigos relatos sobre a criação do Universo tal como a entendiam os Egípcios Antigos.
Shabaqo nomeou o seu filho Horemakhet para o cargo de Sumo-sacerdote de Amon, em Tebas, em cuja região o poder era detido por uma irmã do faraó kuchita, Amenirdis I, a "Boa Mulher de Amon". A Shabaqo, falecido em 702 a. C., sucedeu um filho de Pie, Shabitqo. Shabaqo foi enterrado numa piâmide na Núbia, en El-Kurru, necrópole dos reis de Napata.
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