Reino Unido

Geografia
País insular do Noroeste da Europa. Envolvido pelo oceano Atlântico, com o mar do Norte, a leste, e o canal da Mancha, a sul, abrange uma área de 244 820 km2, correspondente à ilha da Grã-Bretanha e à Irlanda do Norte, bem como a um grande número de pequenas ilhas. Sob o ponto de vista político, a ilha da Grã-Bretanha compreende a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales. A Inglaterra tem uma área de 130 440 km2 e ocupa perto de dois terços da ilha; a Escócia ocupa a parte norte e tem uma área de 78 782 km2; o País de Gales abrange 20 769 km2 e situa-se a oeste da Inglaterra. A Irlanda do Norte situa-se na parte noroeste da ilha da Irlanda e ocupa 14 109 km2. Entre as ilhas mais pequenas que integram o Reino Unido, menciona-se Wight, Scilly, Anglesey, as Órcades, as Hébridas e as Shetland.
Os nomes Reino Unido, Grã-Bretanha e Inglaterra são muitas vezes confundidos. A Inglaterra constitui um país no seio do Reino Unido. A Grã-Bretanha compreende a Inglaterra, o País de Gales e a Escócia, enquanto o Reino Unido inclui também a Irlanda do Norte. As principais cidades são Londres, a capital, com 7 465 100 habitantes (2004) na Grande Londres, Glasgow (1 101400 hab.), Birmingham (968 800 hab.), Liverpool (460 000 hab.), Edimburgo (460 900 hab.), Sheffield (416 500 hab.), Leeds (416 100 hab.), Bristol (406 200 hab.), Manchester (389 500 hab.) e Bradford (288 200 hab.). Na Grã-Bretanha o relevo não é uniforme. A Escócia é essencialmente montanhosa. Nas chamadas Highlands é particularmente visível a herança deixada pelos gelos no período das glaciações: inúmeros lagos, costa muito recortada devido à invasão, pelo mar, de antigos vales glaciares conhecidos por firths. Os Montes Grampianos, mais a sul, atestam os rigores do inverno, pois são cobertos de vegetação rasteira. Na Inglaterra, individualizam-se, no Norte, as Uplands e a cadeia Penina que se alonga no sentido norte-sul. Todo o Sudoeste de Inglaterra apresenta um relevo bastante acidentado (embora não ultrapasse muito os 800 metros de altitude), enquanto a parte oriental é plana.

Clima
Na sua globalidade, o clima é temperado marítimo, chovendo ou nevando bastante mais a norte (na Escócia) e na fachada ocidental quer da Irlanda quer da Grã-Bretanha.

Economia
É uma das nações mais desenvolvidas do mundo e um dos grandes centros mundiais de comércio e finanças. Na agricultura, destacam-se as produções de trigo, beterraba açucareira, cevada, batatas e produtos hortícolas. A criação de gado, em especial de ovinos e bovinos, tem igualmente relevância. Os recursos mineiros e energéticos (ferro e carvão) que permitiram o arranque da Revolução Industrial há mais de dois séculos perderam a sua importância, mas foram largamente compensados com a exploração de petróleo e gás natural no mar do Norte. Em termos industriais, há a referir os setores elétrico, alimentar, de equipamento de transporte, químico, de maquinaria, têxtil e editorial, como os mais significativos. No setor terciário, o comércio, os serviços financeiros e o turismo apresentam uma dinâmica considerável. Os principais parceiros comerciais do Reino Unido são a Alemanha, os Estados Unidos da América, a França e a Holanda.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 9,2.

População
O Reino Unido registava, em 2006, uma população de 60 609 153 habitantes. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 10,71%o e 10,13%o. A esperança média de vida é de 78,54 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,930 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,928 (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 61 613 000 habitantes. Em termos étnicos, os brancos representam 94% da população, seguindo-se-lhes os indianos (1,8%), os paquistaneses (1,4%) e os negros (1,4%). O anglicanismo é a religião mais representativa, com 44% da população, vindo depois o catolicismo (10%), o presbiterianismo (5%) e o islamismo (3%). A língua oficial é o inglês.

História
O Reino Unido é caracterizado por uma longa história política e cultural com ligações a outras áreas do mundo, a maior das quais foi a que constituiu o Império Britânico. Júlio César invadiu a Britânia em 55 e 54 a. C., mas a ilha não ficou sujeita a Roma antes do século I d. C. A província romana da Britânia esteve sob o seu domínio até ao século V, nos territórios que hoje são Inglaterra e Gales. Neste século, tribos nórdicas invadiram a Britânia e trouxeram consigo povos celtas que passaram a habitar o atual País de Gales. O Cristianismo foi introduzido nos séculos VI e VII. Nos séculos VIII e IX, os vikings rondaram as costas da Britânia e para lá enviaram exércitos. No século IX, Alfredo, o Grande, que reinou entre 871-899, repeliu a invasão dos vikings. Guilherme da Normandia conquistou a Inglaterra na Batalha de Hastings, em 1066, e tornou-se Guilherme I. Os reis normandos estabeleceram um forte governo central e um estado feudal. Ricardo I (1189-99) e o seu irmão João (1199-1216) tiveram conflitos com o clero e com a nobreza e João foi obrigado a fazer concessões à nobreza, consagradas na Magna Carta de 1215, estabelecendo o princípio constitucional de que o rei governa de acordo com a lei. Durante o reinado de Eduardo I (1272-1307), desenvolveu-se o estabelecimento do inglês como língua comum. Henrique VIII fundou a Igreja Anglicana na sequência da recusa da Igreja Romana em lhe conceder autorização para o divórcio. Henrique VIII incorporou Gales na Inglaterra.
A Inglaterra foi impulsionada para as conquistas marítimas e coloniais depois da perda das suas possessões na Europa, na sequência da Guerra das Rosas e por se sentir ameaçada pelo poderio ibérico e holandês. O reinado de Isabel I deu início ao período de expansão colonial inglesa. Após lutar com a França, Espanha e Holanda, a Inglaterra aumentou as possessões na América, o que não foi bem aceite pelos espanhóis, que em 1588 tinham intenções de invadir a Inglaterra, mas a Armada Invencível foi derrotada pelos Ingleses. Em 1603 Jaime VI da Escócia ascendeu ao trono inglês, e tornou-se Jaime I ao estabelecer uma união entre os dois reinados. Em 1611, os ingleses instalaram feitorias na Índia.
No interior do Reino Unido a vida política não se encontrava pacífica, rebentou uma guerra civil entre os monarcas e parlamentares que terminou com a execução de Carlos I em 1649. Onze anos depois, a monarquia foi restaurada com Carlos II. O documento conservador, Bill of Rights, de 1689, estabeleceu o princípio de que a coroa da Inglaterra só poderia ser usada por protestantes. Em 1707, a Inglaterra e a Escócia formaram, através de um Ato de União, o Reino da Grã-Bretanha. Durante o reinado de Jorge III, em 1776, as colónias americanas da Grã-Bretanha tornaram-se independentes e foi neste século que se iniciou a colonização na Austrália. Seguiu-se um período de guerra entre o Reino Unido e a França revolucionária e depois com o império de Napoleão Bonaparte (1789-1815). A partir de 1795, ocupou o Cabo da Boa Esperança, a Malásia e Ceilão. Em 1801, a Grã-Bretanha criou legislação no sentido de se unir à Irlanda e criar o Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda. A partir de 1874 o império viu-se aumentado com os territórios da Malásia, Chipre, Nigéria, Egito, Rodésia, Quénia, Zanzibar, Uganda, parte do Sudão e vários arquipélagos da Oceânia.
O Reino Unido foi o berço da Revolução Industrial. A máquina a vapor trouxe o capitalismo industrial, as fábricas cresceram nas cidades e houve uma grande exploração das classes trabalhadoras. O escritor Charles Dickens retrata este período da vida inglesa. Fala da pobreza dos trabalhadores da época, numa altura em que se pensava que a máquina iria, finalmente, libertar o homem, mas para os operários foi sinónimo de escravidão. Durante o reinado da rainha Vitória (1837-1901), a expansão colonial britânica atingiu o seu zénite, embora antigas dominações como o Canadá e a Austrália tenham obtido gradualmente a sua independência em 1867 e 1901, respetivamente. O desenvolvimento do governo parlamentar do século XIX deve-se à liderança dos primeiros-ministros Robert Peel, Benjamin Disraeli e William Gladstone. A guerra Anglo-Bóer levou às anexações do Orange e do Transval, criando-se assim condições para o domínio da União Sul-Africana, em 1910, que se tornaria independente em 1931.
O Reino Unido entrou na Primeira Guerra Mundial como aliado da França e da Rússia em 1914. A seguir à Primeira Guerra, rebentou uma revolução na Irlanda e, em 1921, o Estado Livre da Irlanda queria alterar o seu estatuto, objetivo só alcançado depois da Segunda Guerra Mundial quando se tornou na República da Irlanda, abandonando a Commonwealth. Em 1939 o Reino Unido entrou na Segunda Guerra Mundial e bateu-se contra as forças germânicas e japonesas na Europa, África e Ásia. A Índia obteve a independência logo a seguir à guerra. Desde o pós-guerra até aos anos 70, o Reino Unido continuou a garantir a independência às várias colónias e dependências. O estatuto da Irlanda do Norte tornou-se controverso e as tropas britânicas deslocaram-se para este território com o fim de manter a ordem. Violência e terrorismo cresceram entre as comunidades pertencentes à Igreja Católica, que se posicionou ao lado da República da Irlanda, e a comunidade protestante que pretende continuar a ficar ao lado do Reino Unido. O Norte da Irlanda e o centro de Londres são os locais onde surgem as ações terroristas mais frequentes, nomeadamente as do Exército Republicano Irlandês, conhecido por IRA.
A governação do Partido Trabalhista, iniciada em 1924 pelo líder Ramsay MacDonald e confirmada nas eleições de 1945, impôs ao país uma política socialista e de nacionalizações. O Estado comprou ações ao Banco de Inglaterra, as minas de carvão, a rede de transportes internos, aviação, gás e eletricidade. Subsequentemente, foi a vez de o Partido Conservador tomar conta dos destinos do país e levar a cabo uma política de privatizações nos setores do ferro e do aço. Em 1973 o Reino Unido passou a fazer parte da Comunidade Económica Europeia. A primeira-ministra, do Partido Conservador, Margaret Thatcher, governou o país entre 1979 e 1990, tendo realizado as maiores alterações tendentes a favorecer o setor privado, em detrimento da intervenção estatal na economia.
A forma de governo é uma monarquia constitucional, o chefe de Estado é a rainha, Isabel II, e o chefe do governo é o primeiro-ministro. A monarquia e a família real britânica fazem parte da unidade e espírito nacionais. A Constituição não está escrita. Gales e Inglaterra estão unificadas politicamente e administrativamente e estão legalmente unidas pelos atos de 1536 e 1542.
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