Roma Antiga

A República Romana foi fundada em 509 a. C., sendo geralmente aceite a data de 753 a. C. para a fundação de Roma. A monarquia que prevalecia em Roma teria sido derrotada pelo rei etrusco Porsena, que foi contudo obrigado a retirar-se. Os Romanos escolheram então dois cônsules, a serem eleitos anualmente, generais capazes de chefiar o exército em caso de emergência. Quando em guerra, era nomeado um ditador, que todavia não possuía poder militar por mais de seis meses. Teoricamente, o povo era soberano e o Senado tinha o papel de aconselhar, mas na prática o Senado alcançou um enorme poder. Em 451 a. C. o primeiro código legislativo foi inscrito em 12 tábuas de bronze e colocado no fórum.
Durante o século VI a. C., Roma tornou-se uma das mais importantes cidades do Lácio. A partir do século V a. C., os Romanos começam a expandir-se à custa do território etrusco. Face ao ataque dos outros estados latinos, Roma sai vencedora e vê o seu poder confirmado na guerra contra as cidades gregas do sul. As Guerras Púnicas (264-146 a. C.) colocam em liça o poder romano, comandado por Cipião, "o Africano" (235 a. C.-183 a. C.), e o poder cartaginês, sob a chefia de Aníbal, aniquilado em 202 a. C., na batalha de Zama. As Guerras Púnicas terminaram com a destruição de Cartago (146 a. C.) e de Numância (133 a. C.).
Nesta altura, os Romanos ambicionavam dominar todo o Mar Mediterrâneo, derrotando a Síria, a Macedónia, a Grécia e o Egito, que faziam parte da cultura helénica. Face a este expansionismo, tiveram de estabelecer instituições eficazes para administrar as recém-formadas províncias. Foram designados governadores com poder absoluto sobre os cidadãos não romanos, assistidos por exércitos capazes de manter a ordem. Entretanto, na própria cidade de Roma cavava-se o fosso entre a aristocracia e o povo, que não tirava nenhum proveito desta expansão, antes via o seu trabalho preterido pelo de escravos e o seu número aumentado pelos agricultores que não conseguiam competir com os produtos agrícolas das províncias. A guerra civil instalou-se, e essa conjuntura levou ao poder Júlio César, que assumiu uma ditadura. Depois do seu assassinato, em 44 a. C., Roma foi governada por um triunvirato constituído por Marco António, Octávio e Lépido. Octávio obteve o poder absoluto depois da derrota de Marco António no Norte de África. César tinha já juntado ao seu nome o título de imperator, Octávio aceita que o Senado lhe confira o de Augusto, reservado até então aos deuses. O seu governo foi caracterizado pela estabilidade (pax romana) e pelo desenvolvimento económico. Mas Roma também assistiu ao aparecimento de déspotas cruéis, como Calígula (37-41) e Nero (54-68). Foi sob o governo de Tibério (14-37) que Jesus Cristo foi crucificado, dando lugar ao aparecimento de uma seita, os cristãos, que foram perseguidos e torturados até que, com Constantino I (312-337), o Cristianismo começou a ser favorecido e tornou-se depois, com Teodósio I, uma religião de Estado.
Depois de Teodósio I deu-se a cisão do império em Império Romano do Oriente e Império Romano do Ocidente. O Império Romano do Oriente atingiu um período áureo, sendo conhecido pelo nome de Império Bizantino, que se prolongou pela Idade Média europeia. O Ocidente viu-se invadido pelos Visigodos e a sua queda tornou-se efetiva em 476, quando o germânico Odoacro depôs o último imperador, Rómulo Augusto.
Durante o período final da República e no Império, as legiões romanas dominaram por completo o Mediterrâneo, a Europa Ocidental, incluindo a Península Ibérica, e grande parte do Norte de África. Os Romanos aperfeiçoaram o planeamento das cidades (aquedutos, canalização, banhos, etc.), a construção de vias de comunicação e a arte de governar. Souberam igualmente integrar na sua cultura a tradição etrusca e preservar o contributo da civilização grega nos vários campos do pensamento e das artes. O latim tornou-se o veículo de uma tradição literária considerável e, finalmente, o Cristianismo viria a marcar em definitivo todo o percurso do mundo ocidental.
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