Sá Cardoso

Político e militar português, Alfredo Ernesto de Sá Cardoso nasceu a 6 de junho de 1864 e faleceu a 23 de abril de 1950, em Lisboa. Ainda jovem enveredou pela carreira militar, frequentando o Colégio Militar e a Escola do Exército, especializando-se em Artilharia. Em 1886, partiu para Angola, como alferes, trabalhando no governo do distrito da Lunda. Em finais da década de 80 do século XIX, regressa a Portugal, onde, animado por ideais republicanos, alinha em todas as revoltas anti-monárquicas, como por exemplo no Trinta e um de janeiro de 1891. Fez também parte dos famosos "Jovens Turcos" da República, um grupo de oficiais que se destacou em 1907 na luta contra a Monarquia. Integrou igualmente o Comité Militar para a implantação da República, tendo sido um dos organizadores do plano da revolta do Cinco de outubro de 1910 - foi ele, juntamente com o então capitão Pala, quem comandou as tropas entrincheiradas na Rotunda, em Lisboa.
Com a República implantada, torna-se chefe de gabinete do ministro da Guerra, no Governo Provisório da República presidido por Teófilo Braga, que durou até 3 de setembro de 1911. Em 1913 foi nomeado governador civil da Madeira, ano em que veio a ser eleito deputado, mas por Viana do Castelo, integrado nas listas do Partido Republicano Português. Dois anos depois, a 14 de maio de 1915, participou no movimento que depôs o general Pimenta de Castro da presidência do governo, proclamando, na varanda da Câmara de Lisboa, o restabelecimento da Constituição, suspensa que fora pelo executivo derrubado. Neste mesmo ano, foi reeleito deputado, tal como sucedeu em 1919 e 1922. Foi várias vezes também eleito presidente da Câmara de Deputados. Nesse cargo, foi um dos maiores defensores da participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, tendo mesmo abandonado essas funções para ir combater. Assim, integrado no Corpo Expedicionário Português (CEP), comandou a artilharia da 1.ª Divisão deste corpo de tropas. Não abandonou, contudo, a vida política portuguesa, tendo-se mesmo deslocado a Portugal, em licença, para participar em debates parlamentares fulcrais para o País. Mais tarde, assumiu-se como um dos mais acérrimos opositores de Sidónio Pais (1917-1918), que chegou ao poder em 5 de dezembro de 1917. Ainda resistiu militarmente, nas tentativas feitas contra o sidonismo, mas em vão, tendo que regressar à Guerra em França. Entretanto, em agosto de 1918 vem a Portugal gozar a licença nunca desfrutada, mas acabaria pouco depois por ser preso, vindo apenas a ser libertado em janeiro de 1919, aquando da intentona monárquica de Monsanto. Comandou então as tropas de artilharia que foram combater os monárquicos no norte do País.
Nesse ano, tornou-se chefe de governo no dia 29 de junho de 1919, cargo em que se manteve até 15 de janeiro de 1920, sendo substituído pelo rápido governo de Francisco Costa (algumas horas, em 15 de janeiro). Ainda nesse dia, devido à impossibilidade desse executivo governar, Sá Cardoso retoma a presidência do Ministério, ainda que por apenas seis dias (até 21 de janeiro). O seu primeiro governo foi inicialmente agitado por sucessivas manifestações e por uma prolongada greve dos ferroviários, que paralisou o País. Todavia, conseguiu controlar a situação por meios democráticos e recuperar a tranquilidade nacional. Exerceu outras funções governativas, como os cargos de ministro do Interior (1922 e 1924) e interino dos Negócios Estrangeiros (1920). Nesse ano, juntamente com Álvaro de Castro, fundou o Partido da Reconstituição Nacional, mais tarde Ação Republicana.
Em 1924 foi promovido a general, passando à situação de reserva em 1931 e à reforma três anos depois. No entanto, apesar do seu prestígio político e militar, nunca deixou de ser uma figura obstinadamente anti-ditatorial e um grande defensor da democracia; assim, esteve preso em 1926 (junho e julho), na sequência do golpe de estado de 28 de maio. Entre 1927 e 1933, foi-lhe fixada residência em Cabo Verde, Graciosa e Faial, sucessivamente. Em 1934, funda a Aliança Republicana, de que foi destacado dirigente. Foi um dos grandes vultos da Primeira República, regime pelo qual lutou desde a juventude e que continuou defendendo ao longo da sua vida, o que lhe valeu inúmeras distinções públicas e condecorações por serviços prestados a Portugal e pela sua conduta isenta e intransigentemente democrática. Recebeu, nomeadamente, as ordens militares de Cristo e de Avis, as comendas de S. Miguel e de S. Jorge de Inglaterra, a Legião de Honra de França, e várias medalhas de ouro e prata de bons serviços.
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