Situação Interna de Portugal na 1.ª Guerra Mundial

Sacudidos pela vontade de se libertarem da dependência inglesa, os primeiros dirigentes republicanos portugueses, sem mostrarem a sua hostilidade à Inglaterra, tentaram criar condições no país que permitissem a Portugal tornar-se uma nação independente.
Após o Ultimatum inglês de janeiro de 1890, a Alemanha e a Inglaterra encetaram, em 1898, conversações, nas quais se discutia a partilha dos territórios portugueses ultramarinos, na medida que, segundo estas duas potências, Portugal se encontrava numa situação financeira deficitária, já que nenhum país lhe emprestava dinheiro, pois não acreditava na capacidade administrativa de Portugal.
Entre 1912-1914, a Alemanha e a Inglaterra iniciaram novas conversações sobre a mesma questão, embora já não pudessem fundamentar-se na má situação financeira e administrativa do país, uma vez que a partir do Governo Provisório todos os governadores da República Portuguesa organizaram os serviços da Administração e as Finanças. Foi com o governo de Afonso Costa (9 de janeiro de 1913 - 9 de fevereiro de 1914) que se realizou tão árdua tarefa, apresentando este, e pela primeira vez, um superavit.
As negociações da Alemanha com a Inglaterra, decorridas entre 1912-1914, para além de visarem o estrangulamento da República Portuguesa, tinham como objetivo, pelo lado dos ingleses, de à custa das nossas possessões ultramarinas pôr fim às ambições expansionistas coloniais da Alemanha, que disputava contra a Inglaterra a hegemonia política e económica em várias regiões do Mundo.
A certeza da Alemanha era tal que, em vésperas do eclodir da Primeira Grande Guerra, afirmava que a posse de Angola, em breve, estaria nas suas mãos.
Portugal e as possessões ultramarinas foram, assim, salvos pelo eclodir desta guerra e pela sua participação nos campos de batalha.
Pode dizer-se que se a participação de Portugal na guerra em África tinha como justificação defender-se perante os ataques alemães a Moçambique e Angola, a participação de Portugal na Grande Guerra tornava-se mais difícil de explicar à opinião pública, apesar de existirem três fortes razões: o facto de Portugal ser aliado da Inglaterra, de tentar, ao mesmo tempo, libertar-se da sua dependência e de assegurar a presença portuguesa na Conferência de Paz, na tentativa de defender a inviolabilidade dos territórios portugueses no Ultramar.
Foi, assim, que um grupo de homens, entre os quais se destacaram Bernardino Machado, João Chagas e Norton de Matos, se empenharam nesta intervenção, de acordo com os interesses comuns entre Portugal e a Inglaterra.
Com a perda dos navios mercantes originada pela guerra submarina que os alemães encetaram, as operações militares nos campos de batalha ficaram em perigo, escasseando os mantimentos e originando o descontentamento da população.
Ao abrigo da aliança luso-britânica, a Inglaterra pediu a Portugal que apreendesse os navios mercantes alemães em portos portugueses, com o objetivo de servirem a causa comum.
A 23 de fevereiro de 1916, Portugal apreendeu estes navios e, consequentemente, a Alemanha declarou guerra a Portugal a 9 de março.
Depois de mais de dois longos e funestos anos de guerra, a 11 de novembro de 1918 foi assinado o armistício que deu a derrota, pelas armas, à Alemanha e aos seus aliados (Áustria-Hungria).
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