vácuo

O vácuo consiste na porção de espaço que não se encontra ocupada por qualquer matéria ou radiação.
Na Física antiga, a ideia de vácuo foi negada por Aristóteles e pelos seus discípulos, que sustentavam que "a natureza tem aversão ao vácuo e está livre dele", e defendida pelos atomistas, que a consideravam uma hipótese fundamental no apoio à existência dos átomos. No século XVII (revolução científica) foi substituída pela conceção clássica, que se apoiou na invenção do barómetro por E. Torricelli (1644) e na experiência efetuada por O. von Guericke (hemisférios de Magdeburgo, 1654). A estas vieram-se juntar as experiências comprovativas de que a luz se propaga no vácuo, embora o mesmo não aconteça com o som.
No século XIX, o conceito de vácuo sofreu novas modificações, originadas pela determinação da radiação térmica contida num cilindro, no qual, após forçar a existência do vácuo durante um certo tempo, se restabelecia a situação original. J. Stefan (1879) determinou, experimentalmente, que a densidade da referida radiação era proporcional à 4.ª potência da temperatura e o seu aluno L. Boltzmann (1883) justificou este facto teoricamente.
Na atualidade, a teoria que se refere ao vácuo inclui tanto as conceções de mecânica clássica como a de mecânica quântica e afirma que, mesmo admitindo um vácuo que atingisse o ponto 0, existiria uma radiação de origem térmica (radiação de ponto zero), o que torna impossível falar do vácuo em sentido estrito.
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