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Beduínos
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Os beduínos representam cerca de 10% dos habitantes dos territórios desérticos do Norte de África e do Médio Oriente. São nómadas e vivem do que a terra lhes oferece. Com uma existência milenar, muito pouco urbanos, podem ser considerados, com as devidas especificidades, como os "ciganos" do deserto.
Compõem uma sociedade extremamente centrada no elemento masculino, em que as mulheres trabalham e os homens ficam nas tendas a beber chá, a conversar e a descansar. São maioritariamente muçulmanos, do ramo sunita. As relações entre eles e os povos autóctones dos territórios por onde passam nunca foi muito boa, pois os beduínos são considerados estrangeiros.
A palavra beduíno deriva da palavra árabe "bedu", que quer dizer nómada. Os beduínos são pastores nómadas da região do Norte e Centro da Arábia, bem como, do Deserto Arábico, no Egito, onde os seus descendentes ainda hoje habitam. Os beduínos mais antigos desta região são os responsáveis pela domesticação dos camelos e estão organizados em tribos. Vagueiam pelo deserto na companhia destes animais, aos quais estão simbioticamente associados. São denominados por "habitantes do deserto", pois contrariamente à restante população egípcia que vive nas margens do Rio Nilo, os beduínos vivem no deserto.
Quando chegam a um oásis esticam as suas tendas baixas sobre umas estacas de madeira, montando o seu acampamento de modo fácil e rápido. São tendas retangulares feitas com tecido de pele de camelo ou de cabra. As partes laterais das tendas podem ser enroladas para deixar entrar a brisa ou então fecham-se muito bem para evitar que a chuva ou as tempestades de areia passem. As tendas estão dividas em duas partes, um lado para os homens, onde se encontra o espaço para receber os convidados e onde se fazem as trocas comerciais, além de local de convívio dos homens; a outra metade é a das mulheres e das crianças e pode, por vezes, servir de armazém, sendo aí que se encontra a "cozinha".
No interior destas tendas estendem um tapete no chão onde ficam as selas dos camelos e as cordas. Quando se recolhem nas tendas para pernoitar têm como iluminação uma lamparina, é nestas tendas que eles estabelecem as transações comerciais. Quando se apercebem que o lugar onde se encontram nada mais tem para lhes oferecer, nem aos animais, desmontam o acampamento e procuram outro local.
Os beduínos dividem-se em duas classes sociais: os verdadeiros beduínos, que vivem como nómadas, e os beduínos que levam uma vida mais estável no deserto e vivem da agricultura nos oásis. O beduíno verdadeiro é conhecido pelas suas caravanas que percorrem o deserto, dedicando-se ao comércio.
Para aguentarem as temperaturas elevadas do deserto, os beduínos vestem-se com roupas ligeiras, túnicas frescas que permitem a circulação de ar e uma boa liberdade de movimentos. As túnicas proporcionam não só uma boa proteção contra o sol, mas também contra a areia e os insetos. O vestido para os homens é o "thawb", em algodão branco ou cinzento. Por cima das túnicas os homens levam ainda uns casacos também de algodão, os quais se denominam "kibrs". Estes casacos são abertos pela parte da frente e permitem ver os cintos de couro.
São as mulheres que fazem a maior parte dos trabalhos, enquanto os homens descansam ou tratam de assuntos da comunidade. São elas que cozinham, fabricam os tecidos, apanham a lenha, alimentam toda a família. As crianças ficam com as mães até aos sete anos, os filhos mais velhos ajudam a tomar conta dos animais e dos irmãos mais novos. Na sociedade dos beduínos, a família é a unidade de parentesco mais pequena, seguida depois pelo clã e pela tribo, a unidade maior e mais importante. O trabalho assalariado para os beduínos era considerado vergonhoso, embora hoje em dia já não seja tanto assim, sendo levados a aceitá-lo devido às circunstâncias económicas difíceis.
Os indícios mais antigos de beduínos no Egito datam do Império Antigo (c. 2670-c. 2195 a. C.). Há algumas representações em que se pode ver o faraó a castigar os beduínos. Além disso, há imagens, como as do reinado de Pépi I (2332-2283 a. C.), em que já existiam mesmo confrontos guerreiros com os beduínos. Nos períodos de maior instabilidade política no Egito, nomeadamente nos Períodos Intermédios, estes povos estavam mais implementados e davam largas à sua apetência de desordem. De notar que a pintura egípcia é bastante rica no que concerne à alusão aos beduínos. Desde sempre que este povo foi considerado diferente e "estrangeiro" pelos Antigos Egípcios e outros povos do Crescente Fértil, não tendo sido, por isso, muito bem vistos. Além disso, são considerados por muitos uma ameaça aos seus territórios.
O conhecimento que têm do deserto e a habilidade com que se movimentam por essas terras contribuíram para que se formassem guerreiros e militares valiosos que conseguem atravessar os terrenos mais difíceis. Contudo as suas habilidades não são muito valorizadas pelos povos autóctones.
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Como referenciar
Beduínos na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$beduinos [visualizado em 2026-06-08 23:15:48].

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