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Castelo de Mértola
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No encontro do fluente caudal do Guadiana e do afluente da ribeira de Oeiras estabeleceu-se a milenar vila alentejana de Mértola. Na escarpa da margem direita desse rio fronteiriço, os diferentes povos que aqui se estabeleceram procuraram dotar o seu burgo de consistentes e eficazes defesas.
Com efeito, a Myrtilis dos Romanos era uma próspera e influente cidade do Sul peninsular defendida por importante fortificação, o que não evitou o inevitável avanço de Suevos e Visigodos. Algum tempo depois, ventos de guerra sopravam do Norte de África e a invasão muçulmana expandiu-se rapidamente. Uma vez mais, Mértola caía sob o domínio de um outro povo e de uma nova cultura. A vila conserva ainda sinais da grandeza cultural das civilizações romana e islâmica.
Cerca de cinco séculos mais tarde, a contraofensiva das armas cristãs fazia sentir a sua pressão sobre as margens do Guadiana. O crepúsculo do Islão em território nacional iria ocorrer nos meados do século XIII. Com efeito, Mértola é conquistada por D. Sancho II em 1238, doando este monarca o seu castelo à Ordem de Sant'Iago da Espada - monges-militares que já tinham na sua posse a defesa de outras localidades no Sul do País. Antes da sua transferência para Palmela, os Espatários fizeram de Mértola a sede da sua ordem.
Aspeto do interior do castelo de Mértola
Muralhas e torre de menagem do Castelo de Mértola
O Castelo de Mértola sofreu algumas metamorfoses ao longo dos séculos. Depois do seu perfil romanizado e islâmico, o castelo iria ter obras de monta até ao século XIV. O mestre João Fernandes ergue a torre de menagem em 1292, bela edificação reforçada por cunhais de cantaria e com a parte superior ameada. Acede-se por porta ogival a uma ampla e alta sala, coberta por abóbada ogival de cruzaria. Atualmente, esta sala conserva um valioso espólio de pedras lavradas das épocas romana, visigótica, islâmica e portuguesa até ao século XVIII.
D. Dinis manda edificar a cerca que protegia o burgo, enquanto os seus sucessores - D. Afonso IV e D. Pedro I - prosseguem a melhoria das suas defesas.
Apesar da sua posição estratégica, o Castelo de Mértola perde importância e o abandono a que foi sujeito estende-se às suas muralhas. Do recinto castrense, para além da já mencionada altiva torre de menagem trecentista, subsistem uma outra torre menor e alguns cubelos defensivos que reforçam os arruinados panos de muralha e que se estendem até à vila, para além de outras edificações defensivas, algumas das quais revelando estruturas e materiais romanos e árabes. No centro da praça de armas encontra-se a cisterna, coberta por uma abóbada de berço.
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Como referenciar
Porto Editora – Castelo de Mértola na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-05-22 22:02:45]. Disponível em

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