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Egito, Império Antigo
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O Império Antigo, com capital em Mênfis, inicia-se cerca de 2660 a. C. e finaliza cerca de 2180 a. C, correspondendo ao período que decorre entre as III a VI dinastias.

Este período surge marcado por profundos contrastes, uma vez que a produção artística e a arquitetura apresentam uma grandiosidade notável e única, mas a informação que possuímos sobre quem as realizou é manifestamente pouca. As grandes manifestações monumentais surgem na grande necrópole de Gizé (Guiza), Saqqara, Meidum, Abusir e Dahchur, sendo emblemáticos os exemplares característicos da IV dinastia, Quéops (Khufu, segundo rei desta dinastia), e Quéfren (Khafré, quarto rei e filho do anterior) e Miquerinos (Menkauré, filho de Khafré). Estas construções refletem uma utilização eficaz dos recursos estatais e do privilégio social de quem aí é sepultado, nomeadamente faraós e seus familiares, mas também indivíduos ligados ao restrito círculo real.

Uma das célebres pirâmides de Gizé
Esfinge, Gizé, Cairo
Um dos colossos de Memnon (Tebas, reinado de Amenófis III)
Esfinge e pirâmide de Quéfren, no planalto de Gizé, Cairo
Templo de Edfu, dedicado a Hórus
Templo funerário de Hatshepsut (Império Novo)
De recordar que antes destes reis da IV dinastia, com Seneferu, já algumas pirâmides tinham sido construídas na III dinastia. Com a V dinastia, o culto solar ganhou especial significado e foi um estímulo construtivo de novas edificações funerárias e religiosas, como se vê em Abusir e Sakara, onde também os soberanos da última dinastia do Império Antigo, a Vi, erigiriam os seus túmulos piramidais.

O final do Império antigo marca tradicionalmente o fim de quase mil anos de paz e de desenvolvimento, desde o começo da época arcaica, c. 3000 a. C., progresso patente nas trocas comerciais e nas navegações até pontos distantes do Mediterrâneo oriental e no mar Vermelho, cujo maior exemplo foram os contactos comerciais com a Fenícia. A sociedade agrupava-se cada vez mais em torno do deus-vivo, o faraó, criando-se uma corte discreta e fiel a este.

O regime administrativo da nação assentava nos governadores provinciais, os nomarcas, encarregues sobretudo dos assuntos locais, mas que desempenhavam de igual modo um papel nacional ao servirem diretamente o rei quando este solicitava, incluindo a participação em expedições militares ao exterior, nomeadamente à Núbia, base importante para a economia egípcia, rica em produtos exóticos, metais (cobre, ouro, incenso e marfim), escravos e gado. A inoperância da administração egípcia, cada vez mais hereditária e acumulando títulos e honras, além de fortunas, com os nomarcas a perderem a força e divinização do seu poder, será o retrato dos finais do Império Antigo e mesmo uma das causas da sua decadência, o fim de uma longa era de prosperidade. De facto, muitos egiptólogos consideram como grandes marcas do Império Antigo não apenas as grandes pirâmides e mastabas mas também a eficácia da máquina administrativa enquanto não se corrompeu nos vícios do funcionalismo e da hereditariedade dos títulos e cargos.

O apogeu da V dinastia, e sobretudo o final da VI com a morte de Pepi II (viveu entre c. 2278 e 2184 a. C., embora talvez não tenha tido um reinado longo), inicia uma fase de decadência, caracterizada por um período de crise económica, convulsão social e anarquia, baseados na diminuição do poder real e no aumento da descentralização, consequência do poder dos nobres provinciais (que tinham a sua origem nos funcionários, nomarcas, que depois, em vez de mero usufruto, começaram a transmitir os cargos hereditariamente) e do papel crescente dos sacerdotes, cada vez menos fiéis ao poder central. Criavam-se pois dinastias locais.

De igual modo as modificações climatéricas, com o advento de um clima mais seco e de escassas inundações, criam um recuo na flora e fauna, tornando presente uma realidade de fome e miséria.
Também na diminuição da qualidade das obras de arte, no abandono de templos e túmulos, na corrupção sacerdotal, no banditismo, na insegurança e no incumprimento da lei (caos, revoltas, cedências do faraó aos nomarcas) se pode pressentir causas da decadência do harmonioso e equilibrado Império Antigo.

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Como referenciar
Egito, Império Antigo na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$egito-imperio-antigo [visualizado em 2026-06-12 09:20:56].

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