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Europa do Renascimento (sécs. XIV-XVI)
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Renascimento é um termo atribuído ao tratadista Giorgio Vasari, que o utilizou pela primeira vez em 1550, para explicar o contexto artístico do seu tempo. Para este teórico assistia-se a uma rinasciata da Arte. No século XIX o termo voltou a ser usado por Stendhal, Michelet e Burckhardt.
Nos séculos XIV a XVI o Ocidente vivia um período de grandes mudanças, sobretudo a nível cultural e mental, pois estava a surgir uma nova visão do mundo e do próprio homem.
O movimento renascentista nasceu em Itália em meados do século XIV devido, em parte, ao interesse despertado pelos elementos artísticos e culturais da Antiguidade Clássica, num país onde a tradição clássica estava ainda muito presente. Além disso, a herança do mundo clássico grego começava também a ser assimilada na Europa, particularmente após a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453, facto que atraiu muitos eruditos para a Itália, o local de acolhimento dos guardiães da cultura grega da antiguidade. Estes intelectuais foram os responsáveis pela fundação de Academias, seguidoras do modelo platónico.
"A Virgem dos Rochedos" (c. 1485), por Leonardo da Vinci, um artista do Renascimento
Escritores italianos classicistas, como Dante (1265-1321) e Petrarca (1304-1374), escreviam em latim antigo e italiano e inspiravam-se nas obras de autores do mundo clássico como Cícero e Tito Lívio. São muitos aqueles que consideram estes dois intelectuais os grandes precursores deste movimento.
Por volta de 1440-1450 a invenção da tipografia pelo alemão Gutenberg permitiu a "democratização" da cultura, tornando-a acessível a um maior número de pessoas através da publicação de livros em série. A escrita de obras em italiano e não apenas em grego e latim - línguas compreendidas apenas por uma minoria erudita -, assim como uma rápida circulação da cultura que, graças aos povos que realizaram a expansão marítima extraeuropeia, chegava a toda a Europa, são aspetos de um fecundo élan de valorização do saber.
No entanto, o classicismo, ou seja, a valorização e cópia crítica da cultura clássica, é uma das características básicas do Renascimento tal como o Humanismo, uma atitude otimista que tem confiança nas capacidades do homem e que acredita que o mundo é uma realidade "mensurável" e não infinita como anteriormente se pensava. Esta nova visão está intimamente ligada com os descobrimentos, que abriram um mundo até então fechado sobre si mesmo, permitindo, a partir de então, o contacto com povos e culturas desconhecidos.
Na altura em que surgiu o Renascimento, a Itália vivia num clima de grande instabilidade, pois os estados que compunham este país estavam em guerra entre si, recorrendo ao auxílio de mercenários (Condottieri). A guerra, o comércio e os próprios estados permitiram a ascensão de um grupo de homens empreendedores, os burgueses, que favoreceram as Artes através do fenómeno do mecenato como forma de fazerem reconhecer a sua riqueza e a sua notoriedade numa sociedade cada vez mais adepta do individualismo. Passaram, então, a ser vulgares os príncipes e outras grandes personalidades que sustentavam e mantinham junto de si uma série de artistas que trabalhavam para a glorificação do seu patrono, produzindo um sem número de obras de arte. Veneza, Milão, Pisa e Génova, por exemplo, enriqueceram devido ao desenvolvimento comercial facultado pelas Cruzadas e pela constituição de uma forte burguesia capitalista. A promoção das artes e das letras seria uma forma de os prestigiar.
A arte renascentista nasceu em Itália e transmitiu por toda a Europa as suas principais características, inclusive as suas obras e os seus autores; como centro gerador desta renovação cultural e artística, Itália forjou os princípios gerais deste movimento assimilados de acordo com a natureza de cada país que acolheu este novo posicionamento artístico.
O Renascimento significou a reinvenção das formas artísticas, assente num regresso aos temas e formas clássicos, interpretadas segundo uma perspetiva humanista e naturalista que despreza o estilo Gótico, considerado "bárbaro", dispondo ao mesmo tempo de inovações técnicas e científicas como a utilização das leis matemáticas da perspetiva (aérea e linear).
O Classicismo, ou seja, o "Humanismo artístico", recupera o mundo clássico pela via da paixão pela arqueologia, trazendo para a arte elementos das culturas grega e romana que servem de modelos para esta nova arte. Recuperam-se temas e figuras da mitologia, acentua-se o gosto pela harmonia e pela simetria, inicia-se a representação "pagã" do corpo humano, que é a medida da arte. O Homem é, a partir de então, "a medida de todas as coisas".
Para o artista renascentista tem mais valor o autor individual do que a escola ou o grupo a que pertence, porque a celebração do homem e a sua valorização também passa pela exaltação do indivíduo criador.
Este individualismo inscrevia-se na mentalidade burguesa expressa, por exemplo, no referido mecenato artístico. O patrocínio da construção de um palácio, de um mausoléu, de uma escultura individual ou de um retrato eram formas de exaltação da vaidade e do conforto dos seus promotores e, muitas vezes, também dos seus autores.
A captação da natureza e do homem, na Arte, obedecem a critérios naturalistas, que implicam o estudo da botânica, da anatomia e da geologia para que se consiga transmitir a realidade o mais fielmente possível. O Naturalismo foi responsável pela descoberta da perspetiva, que dá a ilusão das três dimensões, e da pintura a óleo, inventada pelos flamengos, uma conquista que permite, por sua vez, o repinte, o detalhe e uma maior riqueza de cores.
A época renascentista é a época da emancipação da pintura europeia prenunciada pelo pintor Giotto. Este artista libertou-se das construções góticas e passou a utilizar, nas suas tábuas ou frescos, enquadramentos paisagísticos.
No final do século XIV, a Flandres era outro dos focos artísticos mais ativos. Aqui, os duques da Borgonha investiam na arte de pintores como Van der Weyden (1399-1464), Van der Goes (1440-1482) e Jan Van Eyck, mestres do desenho, da cor e da pintura a óleo.
A pintura clássica é a arte renascentista por excelência, a arte da síntese, que denota o amor pelos elementos clássicos, responsável pelo desenvolvimento e introdução de novas técnicas científicas e de pintura: a perspetiva; os esquemas geométricos como a composição triangular; a veracidade dos cenários; a pintura a óleo, uma invenção atribuída a Jan Van Eyck; e influências arquitetónicas e escultóricas, como as encontradas, por exemplo, em Michelangelo Buonarroti, conhecido também por Miguel Ângelo, e Leonardo da Vinci.
A arquitetura renascentista introduz a ordenação matemática das formas arquitetónicas, utiliza uma gramática decorativa romana baseada no tratado de Sérlio (1475-1552), que recupera as ordens toscana, dórica, jónica, coríntia e compósita. As realizações arquitetónicas são simétricas e equilibradas, apresentam preocupações urbanísticas e têm como elementos essenciais a abóbada de berço, a cúpula, o arco de volta perfeita e a apresentação de loggias e fachadas almofadadas pelos palácios.
A escultura é naturalista e clássica, interessada na figura humana, gozando de um aperfeiçoamento técnico e da aplicação de leis da geometria e da matemática. Os nomes mais sonantes da escultura foram, sem dúvida, Michelangelo Buonarroti, um artista multifacetado, Donatello, o autor de David, e Ghiberti, o artista da Porta do Paraíso de Florença.
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Como referenciar
Porto Editora – Europa do Renascimento (sécs. XIV-XVI) na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-06-22 11:40:52]. Disponível em
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