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Festival de Cinema de Veneza
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O primeiro de todos os festivais de cinema a surgir foi o Festival de Veneza, que abriu pela primeira vez as suas portas a 6 de agosto de 1932. De início, fazia parte da Bienal de Arte de Veneza, que de dois em dois anos tentava reunir e dar a conhecer as diversas correntes artísticas europeias. Mas como a pintura, a escultura ou a música não atraíam as massas tanto quanto o desejado, o secretário geral da Bienal, o escultor Antonio Mariani, teve a ideia, ousada para a época, de inserir o cinema nesse evento. Em 1938, mais uma inovação teve lugar, com uma retrospetiva histórica inserida no programa do Festival. Para os jovens realizadores italianos, este acontecimento constituiu também uma oportunidade inesperada de verem chegar à Itália fascista filmes a que normalmente não teriam acesso. Para o poder fascista, contudo, esta era uma bela oportunidade de propaganda política e de ver afluir ao país divisas estrangeiras. O Festival de 1932 acolheu vinte e nove filmes e o de 1934 recebeu cinquenta; participaram dezassete países, entre os quais os Estados Unidos da América. A esta segunda edição do festival afluiu muita gente, que pôde ver alguns filmes considerados escandalosos para a moral estabelecida por Mussolini e pelo Vaticano. Apesar disso, os organizadores do evento conseguiram torná-lo anual, pelo que a terceira edição do Festival ocorreu em 1935. Tempos conturbados como estes trouxeram também acontecimentos inesperados. Por se ter manifestado contra o regime fascista, Greta Garbo viu os seus filmes serem proibidos no Festival. Ao mesmo tempo, este acolhia o filme nazi de Leni Riefenstahl Der Sieg Des Glaubens (O Triunfo da Vontade, 1934). O Palazzo del Cinema acabou de ser construído em 1937, ano em que foi vivamente aplaudido o filme de Jean Renoir La Grande Illusion (A Grande Ilusão), que concorria com um filme de propaganda fascista, apesar da oposição da imprensa e das autoridades fascistas. Em 1939, o Festival abriu numa data pouco propícia, a 3 de agosto, mas sem as participações oficiais dos Estados Unidos da América e da França. Goebbels afirmou-se como uma das figuras de destaque do Festival, já que o presidente se recusou a inaugurá-lo. Em 1940 e 1941, o Festival foi um acontecimento meramente político, com a "semana do filme italo-alemão" e, em 1942, foi anulado. Com os primeiros anos de vida muito conturbados, e quase morto em 1941, o Festival de Veneza ressuscitou em 1946, com a participação de filmes franceses, americanos, ingleses e soviéticos. Os prémios tradicionais não foram, desta vez, atribuídos, já que esta foi uma reunião amigável e não uma competição. Até 1949, o prémio atribuído tinha o nome de "Grande Prémio", mas, em 1950, o nome mudou para aquele que se mantém até hoje, o Leão de Ouro. Ao contrário do Festival de Cannes, o Festival de Veneza não se refez muito bem da crise de 1968. A partir desta data, o Festival definiu-se como um encontro intelectual, mas foi decorrendo com interrupções até 1980 (entre 1973 e 78 o evento não se realizou, e em alguns outros anos decorreu sem a atribuição de prémios). A partir dessa data, contudo, o Festival readquiriu todo o seu esplendor e importância, que mantém até hoje.
Por se ter manifestado contra o regime fascista, Greta Garbo viu os seus filmes serem proibidos no Festival de Cinema de Veneza
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Porto Editora – Festival de Cinema de Veneza na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-05-22 21:34:47]. Disponível em

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