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Higiene Pública em Roma
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A preocupação de dotar a cidade de Roma de estruturas próprias que tornasse efetiva uma boa política de higiene pública sempre foi uma constante. Nesse sentido o tratado de Vitrúvio mostra diretivas muito claras acerca deste problema e aponta algumas formas de o resolver eficazmente, nomeadamente através da disposição topográfica da cidade. Embora muito rudimentares e empíricas eram tomadas medidas preventivas pelos organismos públicos.
Uma das aspirações dos romanos era dotar a cidade de água potável e em abundância, necessária para a alimentação dos banhos, de que falaremos adiante. Neste contexto surgem os aquedutos, grandiosas obras de engenharia que chegaram até nós. Roma tornou-se de facto a cidade mais ricamente abastecida por água. O seu primeiro aqueduto, chamado Água Ápia, foi construído em 312 a. C. Posteriormente dotou-se de um número crescente destas estruturas. O seu restauro e conservação foi sempre uma preocupação dos responsáveis pelo governo da cidade, inclusive dos pontífices, nomeadamente Sisto V. Ainda relativamente à salubridade, os romanos construíram grandes cloacas, começadas no tempo dos reis, que arrastavam as águas residuais para longe da cidade. São as termas que melhor definem a ideia que os romanos tinham da higiene pública. Designam-se termas os edifícios maiores destinados a banhos. Abriam à hora oitava (cerca das duas da tarde), considerando-se que o horário ideal era entre esta hora e as três da tarde. As termas fechavam à noite, no entanto, apesar da frequência das termas ocorrer de dia, era comum o uso da luz artificial. Foram encontrados numerosos vestígios de lâmpadas em antigas termas. O hábito dos banhos associa-se imediatamente aos romanos, mas a verdade é que nos primeiros tempos eram acessórios e a sua frequência só se implantou por influência grega, o que revolucionou a organização das casas de habitação da elite e das villas, que passaram a possuir vários compartimentos destinados a servirem de banhos. A constituição de banhos públicos, que já se conhecem desde a segunda Guerra Púnica, estava a cargo do município ou de um homem abastado. O seu aluguer era uma boa fonte de rendimento, pois cada um pagava o seu banho, exceto os que se encontravam abrangidos pela isenção como as crianças, os escravos libertos do imperador e os soldados.
Foi durante o Império que se incrementou este hábito e Roma passou assim a possuir mais 170 banhos por iniciativa de Agripa. Os banhos compreendiam áreas bem definidas para se poderem executar todas as fases: a permanência num ambiente tépido; o banho de água quente; o banho de água fria; massagem. Assim encontramos invariavelmente nos banhos a seguinte disposição: o tepidarium, o caldarium, o frigidarium e o unctorium. Os banhos públicos marcavam definitivamente a cidade porque, para além da estrutura mencionada, construíam-se outras infraestruturas como restaurantes, ginásios e salas de conversação. Muitos duplicavam as estruturas destinadas ao banho de modo a separar os sexos. Se tal não era possível havia horários diferentes para os banhos das mulheres e para os banhos dos homens. Após a República e até aos começos do cristianismo os banhos públicos passaram a ser mistos, originando comentários e críticas contra a licenciosidade que era corrente naqueles locais.
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Como referenciar
Porto Editora – Higiene Pública em Roma na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-05-26 12:20:03]. Disponível em

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