nominalismo
O termo nominalismo provém da "querela dos universais", medieval, que contemplava a oposição entre nominalistas e realistas. Do ponto de vista ontológico, o nominalismo aplica-se às conceções filosóficas que têm por objeto a redução dos constituintes últimos do real aos objetos singulares (aos indivíduos); reduz, portanto, todas as entidades a particulares. Nesta medida, o universal respeita o conceito pelo qual se designa um conjunto de indivíduos.
Para o nominalismo, os termos singulares que se referem a indivíduos são o objeto sociológico por excelência, enquanto os termos gerais abstratos não são senão "construções teóricas" ("modelos abstratos" que não são entidades concretas - uma instituição, por exemplo, não é uma multidão na rua), que descrevem estruturas ou relações entre indivíduos. A questão sociológica central que está aqui patente é a da relação entre o indivíduo e a sociedade, das sociedades entre elas e a do estatuto das sociedades em relação aos indivíduos. O nominalismo considera que o que existe são os indivíduos, cujas descrições adequadas se fazem por intermédio dos termos singulares, podendo dispensar-se os termos "holistas" (os coletivos sociais são abstratos) (Descombes, "Les individus collectifs" - in DESCAMPS, C. Philosophie et Anthropologie, 1992). É assim que, na linha do nominalismo, o "individualismo metodológico" privilegia as ações individuais.
Max Weber, que decompunha a sociedade em ações de indivíduos independentes, foi um representante do nominalismo sociológico: "as estruturas sociais tipos, como as administrações burocráticas, os sistemas económicos de tipo capitalista ou os sistemas de dominação de tipo carismático, eram para ele representações precisas e científicas de qualquer coisa que não tinha nem ordem nem estrutura: eram simplesmente criação dos sociólogos" (Elias, Qu'est-ce que la sociologie?, 1991). Com efeito, Weber introduz uma reflexão crítica em relação às conceções realistas.
Ele critica, por exemplo, o uso simplificado da noção de classe social de Marx, como se ela correspondesse a uma unidade de facto, como a comunidade.
Ora, Weber parte de uma análise da situação de classe e do estatuto, para compreender a emergência de uma consciência de classe e uma eventual ação coletiva.
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