Política de Desanuviamento e Estratégia Nuclear
O final da Segunda Guerra Mundial trouxe uma recomposição das forças políticas a nível internacional, emergindo duas grandes potências: os EUA, defensores da democracia e da liberdade, e a URSS, de política comunista e dirigista. Os primeiros tinham o primado dos mares e do Ocidente; os segundos afirmavam-se com uma força continental e euro-asiática. Estes dois blocos tornam-se então rivais, congregando forças em alianças militares, a Organização do Tratado Atlântico Norte OTAN (NATO), em 1949, e o Pacto de Varsóvia, em 1955, cujo palco de atuação será a Europa.
A utilização da bomba atómica para pôr fim à guerra em 1945 tornou esta arma no mais poderoso meio militar, sendo a corrida ao armamento de tipo nuclear o recurso à paralisação militar do inimigo. Esta torna-se a base de coexistência possível da denominada guerra fria, período durante o qual se iniciam conversações com vista ao desarmamento. Os EUA ameaçam as cidades da URSS com os bombardeiros do Strategic Air Command, ao que os soviéticos respondem, a partir de 1955, com os seus bombardeiros e mísseis e, sobretudo, com o início da era espacial (lançamento do Sputnik em 1957) e as inovações ao nível da técnica dos mísseis balísticos intercontinentais. Estes avanços soviéticos desencadearam a reação americana, que desenvolve poderosas técnicas de ataque (mesmo com ogivas nucleares) a partir dos seus submarinos. Perante a equiparação de forças, a URSS fica impedida de atacar os EUA por Cuba (crise de 1962) e os EUA de atacarem a URSS a partir da Europa sob o risco de uma destruição mútua assegurada. O equilíbrio de forças é pois conseguido graças a milhares de mísseis com uma grande capacidade de destruição.
A corrida desenfreada ao armamento originou uma tentativa de acordo relativamente às armas de tipo nuclear, cujo poder destruidor era já conhecido desde Hiroxima e Nagasáqui. Assim, da Conferência de Genebra (1959) resultará uma viagem do então vice-presidente dos EUA, Richard Nixon (na Administração 1952-1960), a Moscovo, retribuída com a ida de Nikita Kruschev aos EUA (1960), onde se encontra com o presidente Eisenhower, em Camp David. Contudo, as conversações falham, porque os soviéticos descobrem que estão a ser espiados por aviões americanos. Ao mesmo tempo o bloco comunista chinês não coopera, discordando das políticas de aproximação ao Ocidente do chefe de Estado soviético, que se encontrará com Kennedy, em Viena, em 1961. Todavia, são estabelecidos diversos tratados e acordos com vista à redução dos riscos de uma guerra nuclear: é assinado o tratado de desmilitarização da Antártida (dezembro de 1959), são definidos os princípios para reger as negociações de desarmamento (declaração McCloy-Zorine, 1961) e é assinado o acordo de Moscovo (1963), entre os Estados Unidos, a URSS e a Inglaterra, que proíbe os ensaios nucleares na estratosfera, no espaço e no fundo do mar. Paralelamente ao esforço das duas potências, outros países sentem necessidade de armar os seus exércitos com forças nucleares, como foi o caso da China e da França, que não ratificam o Tratado de Moscovo.
Dada a complexidade das negociações a nível global e dos custos elevados de um sistema antimísseis, optou-se pela realização de tratados mais específicos de controlo de armamento, que ficariam conhecidos por SALT I e SALT II. A primeira ronda de negociações iniciou-se em 1969 em Helsínquia, conduzindo à assinatura de um tratado entre Nixon e Brezhnev, em 1972. Todavia, o facto de a URSS ter à partida uma maior quantidade de armamento convencional tornava-se num entrave ao estabelecimento da redução do armamento nuclear.
A partir de 1974, a indústria militar conheceu uma maior evolução e as armas passaram a ser autoguiadas (mísseis cruzeiro), o que lhes confere mais precisão e fiabilidade. Devido à redução do número de ogivas (acordos SALT II, 1979) já não era posto o problema da destruição mútua mas antes quem seria capaz de ganhar uma guerra nuclear limitada.
Durante a década de 80 a situação mundial alterou-se com a política de Ronald Reagan e de Mikhail Gorbachev. O presidente norte-americano Reagan ratificou finalmente o acordo SALT II, que ainda não tinha sido aceite pelos EUA, apesar de assinado sob a presidência de J. Carter. Reabriu a corrida ao armamento com a Iniciativa de Defesa Estratégica, que ficou conhecida por Guerra das Estrelas, ao mesmo tempo que recomeçam as negociações sobre as armas estratégicas (START). Do lado soviético, a abertura política e económica da perestroika, que visava a revitalização do sistema de governo e administração do país, secundarizava a corrida ao armamento.
Entretanto, surgia cada vez mais a ameaça dos países ditos do Terceiro Mundo e mais perigosamente os do mundo islâmico, em particular durante a última década do século XX. Países como o Irão, a Índia, o Iraque ou o Paquistão - entre outros não confirmados, como a Coreia do Norte - entram na era nuclear fazendo ensaios e ganhando capacidade para utilizar estes armamentos nos seus conflitos sem respeitar as diretivas anteriormente assinadas, reacendendo o espetro de novos (ou "adormecidos") conflitos regionais ou fronteiriços.
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