Ásia Portuguesa

Em 1493, Cristóvão Colombo afirmava ter chegado à Índia antes dos Portugueses, pela rota do oceano, um facto que abalou a política de sigilo e de exclusividade da coroa portuguesa. Passados quatro anos (1497), Vasco da Gama partia de Lisboa, com uma expedição disposta a chegar ao mesmo destino.
A chegada de Vasco da Gama a Calecute, em maio de 1498, inaugura a rota marítima da Europa para o Oriente e pode ser considerado como um dos momentos chave do século XV português. A viagem à Índia foi iniciada em julho de 1497, por uma expedição composta por duas naus (S. Gabriel e S. Rafael), provavelmente uma caravela (Berrio) e uma embarcação para o transporte de mantimentos. A tripulação teria entre 150 e 170 homens, uma boa parte dos quais estava ligada à Ordem de Santiago.
Vasco da Gama rumou às Canárias, daí para Cabo Verde e em seguida para a baía de Santa Helena, perto do Cabo da Boa Esperança. No Índico, dirigiu-se para norte no canal: Ilha de Moçambique, Mombaça e Melinde onde foi bem recebido e foi brindado com a experiência de um piloto hindu habituado a estas paragens. Com a monção chegou à Índia em maio de 1498. Em Calecute, entreposto do comércio oriental, permaneceu três meses. Numa fase inicial estabeleceu boas relações com os indianos, que logo pioraram devido ao choque cultural e à intriga dos mercadores muçulmanos. Com dificuldade, conseguiu um carregamento de especiarias. Iniciou a difícil viagem de regresso (entre julho e agosto de 1499), chegando a Lisboa passados 732 dias com 2 barcos e menos de metade dos homens que partiram. Os sobreviventes desta viagem foram calorosamente saudados, em especial o capitão-mor que recebeu de D. Manuel vários benefícios como o título de Almirante do mar da Índia (1500).
Em 1500 D. Manuel intitulava-se "senhor da conquista e do comércio da Índia, Etiópia, Arábia e Pérsia", indicando deste modo que o seu império se definia como uma empresa comercial, como um monopólio centrado na rota africana até à Ásia.
Em março de 1500, Álvares Cabral partiu de Lisboa no comando de uma armada a caminho do Oriente, que no decurso da viagem acabou por aportar ao Brasil. Em1501 regressava à pátria com a certeza que os muçulmanos constituíam uma forte oposição no comércio do oriente.
Em fevereiro de 1502 saía da barra do Tejo uma terceira expedição, que aportou a Sofala, Moçambique e Quíloa, onde os portugueses impuseram a vassalagem e o pagamento de tributo ao rei português. Em Cananor e Cochim os portugueses foram bem recebidos e aí aproveitaram para carregar as naus. Em Calecute voltaram a encontrar os mesmos problemas.
Vasco da Gama afirmou o seu poder de uma forma violenta. Quando voltou a Portugal deixou uma esquadra permanente no Índico. Nos anos seguintes pareceu afastado da vida política, mas com o rei D. João III voltou a ser influente na organização política do Oriente. Em 1524 foi nomeado governador da Índia, partindo (em abril e chegando em setembro) para ocupar o seu posto, vindo a falecer pela altura do Natal.
Embora com grandes dificuldades e muitas limitações, um pequeno grupo de portugueses de um pequeno território europeu, construiu, a partir daqui, um vasto império. Traçando uma teia de rotas, sobretudo marítimas, que possibilitaram a circulação regular de mercadorias, pessoas e notícias.

Entre 1501 e 1505, os Portugueses puseram em prática na Índia o mesmo método que adotaram na costa Atlântica do continente africano. Com a autorização dos chefes locais, fundaram feitorias em Cochim, Cananor, Coulão e em S. Tomé de Meliapor. Todavia, as grandes adversidades encontradas para desenvolver a atividade comercial fizeram com que D. Manuel tentasse gerir o monopólio de um modo diverso. Criou então o cargo de vice-rei da Índia, que foi ocupado pela primeira vez por D. Francisco de Almeida.
Durante o seu mandato (1505-1509), D. Francisco de Almeida fundou as fortalezas de Sofala, Moçambique, Quíloa, Socotorá e Cananor, e na Batalha de Diu contribuiu grandemente para a consolidação do império português no Oriente.
Em 1509 o governo da Índia foi confiado a Afonso de Albuquerque, que procurou ir mais além da atuação do seu antecessor, isto é, tentou assegurar para a coroa portuguesa o monopólio do comércio das especiarias.
Para tal, pretendia defender o Índico com um conjunto de armadas, colocadas em pontos estratégicos. A concretização do seu plano implicou a tomada de Goa, Ormuz e Malaca. O único ponto que não conseguiu tomar, para completar o seu plano foi o porto de Ádem, por onde passavam os mercadores turcos.
Os sucessores daquele que pode ser considerado um dos construtores do Império Português do Oriente continuaram a sua obra, através da fundação de feitorias e missões da China até ao Japão.
O comércio estava organizado segundo uma rede de feitorias controladas por funcionários régios encarregues de exportar as mercadorias para o Ocidente e receber os produtos importados da Europa.
Os produtos chegavam à Casa da Índia, que funcionava como o centro do comércio do Oriente através da rota do Cabo. As mercadorias eram transportadas de Goa a Lisboa, passando pelo cabo da Boa Esperança. Na Europa a feitoria da Flandres distribuía as mercadorias orientais e comprava os metais e a prata essenciais para o comércio com o Oriente.
Portugal conseguiu abrir o comércio com o Japão (Cipango), em 1524, e com a China (Catay), em 1557, com o monopólio da coroa. Desde 1511, os contactos dos portugueses com a Insulíndia eram frequentes, especialmente nas Molucas (especiarias) e em Timor e ilhas do Sunda (Indonésia), à procura de sândalo, mas também com objetivos de missionação. Em Ayuthya, perto da atual Bangkok, Tailândia, estabeleceu-se também uma importante colónia portuguesa no século XVI, mas que não sobreviveu à centúria seguinte.
Depois dos comerciantes chegaram os missionários e os oficiais reais. Na evangelização do povo asiático destacou-se S. Francisco Xavier, cuja atividade o levou à Índia e ao Japão. No entanto, nunca se pôde superar totalmente a dificuldade europeia para compreender a personalidade dos povos orientais. As igrejas cristãs foram sempre uma minoria na Ásia, face à expansão do Budismo e da religião muçulmana. Em meados do século XVI, o fabuloso império comercial português entrou em crise, perante a chegada de uma nova potência colonial, os Países Baixos.
Com a ocupação filipina de Portugal (1580 - 1640), esmoreceu e ruiu boa parte do domínio português na Ásia.
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