Avanço do Império Mongol
Os Mongóis são um povo pertencente à família altaica, tal como os Turcos e os Manchus, cujo local de origem se situa em torno do lago Baical. Ficaram conhecidos pela sua habilidade como arqueiros e cavaleiros, tendo forçado a construção da Grande Muralha da China por terem posto em causa a segurança do Império Chinês durante o século III a. C. Sabe-se que em meados do século XII existiam dois tipos de tribos mongóis: as do Norte, que viviam na taiga (floresta) siberiana e que se dedicavam à caça; e as do Sul, que habitavam a estepe das imediações do deserto de Gobi, em tribos nómadas que se dedicavam à pastorícia. Será sob o comando de Temudjin, mais tarde Gengis Khan (c. 1155/67 - 1227), que estes últimos se vão reunir numa confederação (1206) cujo objetivo, ditado pelo "céu eterno", era a conquista do mundo em busca da paz.
A conquista iniciou-se com a rendição dos Tangutos (1209), seguindo-se depois Pequim, em 1215. Voltando-se para Ocidente, neutralizam os estados da Ásia Central, entre os quais o sultanato turco de Khorezm (1221). A sua fúria destruidora atacou também locais como Samarcanda, Balkh ou Bucara, chegando à Geórgia e ao Cáucaso (1221-22). Quando o seu líder morreu, em 1227, o Império Mongol estendia-se do mar Cáspio e Norte da Índia à Manchúria.
A fulgurante ascensão do Império Mongol, que conseguiu a maior conquista territorial de todos os tempos, é em parte explicável pela sua organização exemplar a nível militar e administrativo. Possuíam uma chancelaria imperial organizada e um serviço de correio que ligava os diferentes pontos do império, mesmo os mais distantes. Por outra parte, regiam-se por uma política de tolerância religiosa, estabelecida na Yasa, a grande lei mongol. As bases do império assentavam numa organização centralizada, passando cada população conquistada para o poder do chefe militar que o tinha feito.
A sucessão foi entregue a Otokai (1229-1241) muito embora Gengis Khan tenha dividido o império antes de morrer em apanágios ou cantos, que entregou aos seus quatro filhos. Otokai sistematizou a política conquistadora fixando a capital do império em Karacorum. Partiu para a conquista do Médio Oriente, finalizando a submissão da Pérsia (1231) e destruindo o reino tunguse do Norte da China (1234). Mandou para ocidente Batu Khan, seu sobrinho, que, à frente de um exército de 150 mil homens, invadiu a Rússia, apoderando-se de Kiev ao bater as tropas do arquiduque Vladimiro (dezembro 1240), tendo anteriormente submetido os búlgaros do Volga e aterrorizado todo o Nordeste da Rússia. Avançou sobre a Hungria chegando quase às portas de Viena. Esta invasão seria no entanto suspensa devido à notícia da morte de Otokai, fazendo com que as tropas regressassem à Mongólia.
O período que se seguiu à morte do grande Khan foi de instabilidade política, tendo a regência sido assegurada por Toregene, viúva de Otokai. Em 1246, tomou posse o seu filho, Guyuk que morreu passado dois anos passando a regência para as mãos da viúva, Oghul Kaimich. O reinado foi depois entregue a Mangu Khan (1251-1259), neto de Gengis Khan. O Império Mongol atingiu a sua máxima dimensão sob o seu reinado. A ocidente, o seu irmão Hülagü, governador da Pérsia, conquistava o Iraque e a Síria, tomou Bagdade (1258), onde recebeu o apoio dos muçulmanos xiitas ao depor o califado abássida (sunita). O seu outro irmão encaminhou-se para a China, onde subjugou o império Song. A morte de Mongu Khan será decisiva no avanço mongol sobre a Europa pois foi o exército de Hülagü vencido pelos Mamelucos quando avançava para o Egito, tendo que abandonar a Síria. Foi durante esta mesma época que a Europa, através das movimentações de Filipe, o Belo, de Eduardo I de Inglaterra e do papa Nicolau IV, tentou uma aliança com os Mongóis com vista a derrubar o Islão. Contudo, e devido à morte repentina de Mongka, as conversações não frutificaram.
O poder foi depois entregue a Kublai Khan (1260-1294), que teve que enfrentar a revolta do seu irmão Arik Boge, que se proclamara Khan em Karacorum. Ao fim de cinco anos, Kublai derrotou o irmão e voltou-se definitivamente para a China, o que provocou a revolta dos Mongóis das estepes (1267), só definitivamente dominada por Tamerlão (1295-1307) em 1301. O reinado de Kublai Khan pautou-se também por uma prosperidade económica uma vez que foi possível estabelecer contactos comerciais graças às regras precisas do direito internacional e comercial da Yasa.
A partir do reinado de Tamerlão o equilíbrio do Império Mongol foi seriamente afetado por conflitos entre a administração central e os canatos (ulus). Por outro lado, cresceram os conflitos pelo abandono da tradicional neutralidade religiosa, havendo quem adotasse a religião dos povos submetidos. Exemplo disso foi a conversão de Gengis Khan ao budismo, a conversão ao Islão do canato iraniano e a simpatia com a ortodoxia russa da Horda de Ouro. Ao misturarem-se com estes povos, os mongóis diluíram-se, pois representavam apenas 1% da população do império perdendo-se o sentido de comunidade que sempre havia sido a base da sua solidariedade e unidade imperial. Ao mesmo tempo, um período de fortes secas sucessivas acentuou o declínio político e económico de um povo que dependia dos cavalos como meio de locomoção, resultando no progressivo desaparecimento do poder mongol.
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