Parque Natural de Sintra-Cascais

O Parque Natural de Sintra-Cascais foi criado a 15 de outubro de 1981, segundo o Decreto-Lei n.º 292/81, ocupando uma área de 23 280 hectares.
Situado próximo de Lisboa, o Parque Natural de Sintra-Cascais engloba parte dos concelhos de Sintra e de Cascais, incluindo as vilas de Sintra e Colares, os cabos Raso e da Roca, a Boca do Inferno, a serra de Sintra e todo um conjunto de praias turísticas, desde a Foz do Falcão até ao Forte da Cidadela. Zona de grande valor natural e cultural, está sujeita a grandes pressões urbanísticas.
Para norte do cabo da Roca e até à Foz do Falcão, toda a linha de costa é elevada e escarpada. De uma forma geral, as praias são muralhadas pelo interior por arribas altas, o que dificulta o acesso, enquanto a maré alta se encarrega de as cobrir quase completamente. Aroeira, Ursa, Adraga, Cavalo, Lagoa e Rodízio são uma sucessão de pequenos areais meio escondidos que se estendem até à vigia de Colares, limite sul da Praia das Maçãs. Ainda mais a norte e até ao limite da área da paisagem protegida, na foz do Falcão, a costa não perde a sua característica altura e escarpamento, sendo a Aguda, o Magoito e a Samarra praias de reduzidas dimensões e de difícil acesso. A partir do Focinho da Rocha, caminhando para sul, ver-se-á desenhar um amplo arco que conduz até ao cabo Raso. Com exceção do Abano e do Guincho, a orla costeira quase não é interrompida por praias, constituindo um planalto calcário que desce suavemente até ao mar. As falésias altas deixam de se ver, para apenas tornarem a surgir, mas com uma altitude bem menos elevada, na vizinhança de Cascais. O mar deposita a areia no litoral e o vento encarrega-se de a distribuir, daí que parte dos calcários da plataforma se encontrem cobertos em largas extensões por areias que se apresentam sob a forma de uma sucessão dunar orientada no sentido nor-noroeste-su-sudeste, como se pode observar a partir do Guincho. Às dunas móveis segue-se, para sul, uma formação de dunas consolidadas, com especial interesse, para a Duna Consolidada da Crismina, em Oitavos, considerada a maior da Europa. Já próximo de Cascais, o modelo cársico conjugado com os efeitos da erosão marinha é particularmente evidente na Boca do Inferno. Em toda esta paisagem litoral a atenção também é atraída pela compartimentação dos terrenos feita por sebes vivas à base da cana ou caniço que, graças à sua permeabilidade e elasticidade, protegem as culturas dos ventos fortes de norte e noroeste que assolam a região durante boa parte do ano. E é assim que, a poente da Malveira da Serra e até quase junto ao mar, o panorama das terras equivale a um enorme puzzle. No que diz respeito à flora, o coberto vegetal de toda a faixa litoral reflete as condições que aí se fazem sentir. Assim, na Boca do Inferno deparamos com uma vegetação liquénica, cuja sobrevivência, em ambiente fracamente hostil para uma planta, se prende com as suas exigências mínimas, facto que lhe permite subsistir num horizonte tão pobre. Quando nos deslocamos à área do Guincho, surge então um coberto arbóreo constituído fundamentalmente por pinheiro-de-alepo e eucalipto, nos terrenos calcários mais próximos de Cascais, e pinheiro-bravo, pinheiro-manso e zimbro, na zona do cabo Raso e na Quinta da Marinha. Nas dunas móveis surge uma associação vegetal dominada pelo estorno e que inclui muitas das espécies mais comuns da vegetação das areias litorais, enquanto nas dunas fixas, mais para o interior o zimbro assume um papel de maior relevo. De uma forma geral, os matos espontâneos predominam ao longo da costa, cedendo o lugar a matas de resinosas e folhosas à medida que se caminha pelas encostas da serra de Sintra e pelo interior da zona do Cabo Raso.
A serra de Sintra sobe até aos 529 metros da Cruz Alta alongando-se de leste para oeste e terminando de forma abrupta, sob a forma de uma falésia alta, no Cabo da Roca. A vegetação da serra é constituída fundamentalmente por árvores de grande porte pois na realidade não há falta de humidade. Envolvendo o arvoredo surgem os liames (trepadeiras de grande comprimento que se enroscam às árvores) conferindo por vezes às matas, sobretudo quando o porte e densidade da vegetação é mais elevado, aspeto de floresta tropical. A mata de Sintra acaba por ser um misto de associação natural e de algo construído, pois grande parte das espécies que nela se encontram são na realidade exóticas. É de salientar o parque de Monserrate que possui a maior concentração de espécies vegetais introduzidas, nomeadamente os abetos do género Thuja.
Hoje em dia, a omnipresença do homem fez desaparecer animais de certa corpulência como o caso do veado ou do javali. De entre os mamíferos apenas se podem observar alguns que, por comuns em várias zonas do território português, não adquirem em Sintra qualquer expressão de raridade. É o caso da raposa, da gineta, da toupeira, da doninha, do musaranho ou do vulgar coelho-bravo, que partilham uma área com todo o conjunto das aves, desde as aves de presa, como a águia-de-asa-redonda, até passeriformes, como o gaio.
A área do Parque Natural de Sintra-Cascais assenta num território de antiquíssima humanização e um pouco por toda a parte surgem vestígios arqueológicos pertencentes ao Paleolítico. Os Árabes deixaram bem assinalada a sua presença, construindo por volta dos séculos VIII ou IX o castelo que D. Afonso Henriques iria conquistar em 1147. O consorte de D. Maria II dinamizou a florestação ordenada e mandou erguer um edifício que é o Palácio da Pena. O parque que o circunda, outra construção da época, são quase 200 hectares de manchas contrastadas de verdura.
Como referenciar: Parque Natural de Sintra-Cascais in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-06-25 04:21:25]. Disponível na Internet: