Tete

Província do centro noroeste de Moçambique cuja capital é a cidade de Tete. Confinada pelas províncias de Manica, Sofala e Zambézia e pelos países Malawi, Zimbabwe e Zâmbia, a província de Tete possui uma superfície de 100 722 km2 e uma população de 1 388 205 habitantes (em 2001), constituída pelas etnias dos Nianjas e dos Niungues.
A região de Tete foi descoberta no início do século XVI e, a meio deste século, começou a ser ocupada por missionários que participaram nas expedições de Francisco Barreto. No século XVII, a região era já o principal centro comercial do interior de Moçambique, sendo, por isso, um dos mais antigos aglomerados portugueses do interior africano. De referir a construção da Igreja de Boroma (em 1900 e atualmente em degradação) cujas linhas arquitetónicas revelam a grandiosidade do templo e que representa um marco importante da missão jesuíta em Moçambique. Quanto aos recursos naturais, construiu-se, para aproveitar as potencialidades do rio Zambeze, a Barragem de Cahora Bassa (1974), a segunda maior do continente africano, o que permitiu fomentar diretamente as áreas da indústria, do turismo e da pesca. Para além disso, a província de Tete é rica em recursos minerais, como o ouro, o carvão, o ferro, a prata, a grafite, e em recursos florestais, sendo as principais madeiras a umbila, o miombo, o pau-preto, o ntondo e a chanfuta. O clima extremamente seco e quente permite desenvolver as produções agrícolas (algodão, tabaco, milho, amendoim, feijão) e as criações pecuárias, sobretudo, de gado bovino e caprino.
Os núcleos de interesse turístico centram-se na zona fronteiriça com a Zâmbia e com o Zimbabwe, região rica em flora e fauna selvagem e para a qual está já em desenvolvimento um projeto de conservação - Parque Internacional ZIMOZA. Destaca-se ainda o Monte Domué (2095 m), na Angónia, propício para o montanhismo, e os grandes embondeiros - árvores que podem atingir um diâmetro de 8 metros e uma altura de 15 metros e que constituem uma referência no património natural e cultural dos moçambicanos, sobretudo, dos povos das províncias de Tete, Cabo Delgado e Inhambane.
A nível cultural, salienta-se as típicas dança e a máscara designadas Nyau, que estão relacionadas com ritos de iniciação, funerais e outros acontecimentos importantes e que se assemelha ao valor simbólico e cultural do Mapico, no povo Maconde. Os bailarinos do Nyau usam uma máscara que representa, por um lado, os antepassados e os espíritos e, por outro, caricaturam comportamentos dos povos estrangeiros estabelecidos em Moçambique. A dança é executada ao ritmo de tambores e exige do bailarino grande agilidade. O Nyau demonstrou a sua oposição às tentativas de assimilação de outras culturas, tornando-se numa barreira à evangelização daquele povo pelos jesuítas. No início do século XX, com o desenrolar da situação internacional e o aparecimento dos movimentos nacionais, o Nyau passou a ser reprimido pelo seu carácter de imoralidade (devido à sensualidade das danças), de anti-religiosidade e de anti-nacionalismo (dado o teor secreto das cerimónias). Com esse objetivo, os jesuítas confiscaram as máscaras e os objetos de culto, proibiram os batuques, nas localidades junto às missões, e impediram qualquer dança ou festividade. Esta repressão diminuiu, contudo, nos finais da década de 50, de acordo com a política colonial que admitia, num espírito de tolerância, uma aproximação ao protestantismo e ao islamismo, sem todavia deixar de indiretamente vigiar e controlar as ligações a seitas suspeitas de anti-colonialismo.
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