Lisboa


Aspetos geográficos
Cidade, capital de Portugal, sede de distrito e de concelho. Localiza-se na Região da Grande Lisboa (NUT II) em Lisboa (NUT III). Fica situada na margem direita do Rio Tejo, estendendo-se ao longo do seu estuário por alguns quilómetros e para o interior.

A cidade está ligada à margem sul pela Ponte 25 de abril, inaugurada em 1966, e pela Ponte Vasco da Gama, inaugurada a 29 de março de 1998. É limitada pelo distrito de Leiria a norte, Santarém a nordeste e este, pelo Oceano Atlântico a sul e a oeste e pelo estuário do Tejo a leste e sul, que o separa do distrito de Setúbal. A sua altitude varia entre os 5 metros, à beira-rio, e os 226 metros, em Monsanto.

Com uma área de 84,6 km2, tem 53 freguesias, agrupadas em quatro bairros administrativos:

1.º Bairro - Anjos, Castelo, Coração de Jesus, Encarnação, Graça, Madalena, Mártires, Mercês, Pena, Sacramento, Santa Catarina, Santa Engrácia, Santa Justa, Santiago, Santo Estêvão, S. Cristóvão e S. Lourenço, S. José, S. Mamede, S. Miguel, S. Nicolau, S. Paulo, S. Vicente de Fora, Sé e Socorro;

2.º Bairro - Ajuda, Alcântara, Lapa, Prazeres, Santa Isabel, Santa Maria de Belém, Santo Condestável, Santos-o-Velho e S. Francisco Xavier;

3.º Bairro - Alvalade, Ameixoeira, Benfica, Campo Grande, Campolide, Carnide, Charneca, Lumiar, Nossa Senhora de Fátima, S. Domingos de Benfica, S. João de Brito e S. Sebastião da Pedreira;

4.º Bairro - Alto do Pina, Beato, Marvila, Penha de França, Santa Maria dos Olivais, S. João, S. João de Deus e S. Jorge de Arroios.

Em 2011, o município apresentava 547 733 habitantes. O natural ou habitante de Lisboa denomina-se lisboeta, lisboano, lisbonês, lisbonense, lisboês, lisbonino ou olisiponense.

O distrito compreende os concelhos de Alenquer, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Cadaval, Cascais, Lisboa, Loures, Lourinhã, Mafra, Odivelas, Oeiras, Sintra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.

A altitude máxima do distrito é de 666 metros na serra de Montejunto. Apresenta-se dominado por áreas de morfologia plana e de baixa altitude, correspondentes à planície sedimentar das bacias dos rios Tejo e Sado. Grande parte do distrito é drenado pela rede hidrográfica da bacia do Tejo.

No que se refere ao clima verificam-se características mediterrânicas, com verões quentes e secos e invernos amenos.

História e Monumentos

As origens de Lisboa perdem-se na noite dos séculos. Nela teriam vivido Lígures, Celtas, Iberos e tribos lusitanas. Foi ocupada por Romanos, Visigodos e Mouros, até que D. Afonso Henriques, com o auxílio de cruzados estrangeiros, a conquistou em 1147, depois de uma tentativa falhada em 1142. Mas só em 1179 a cidade recebeu a primeira carta de foral. Foi elevada a capital do reino em 1255, por D. Afonso III.

Outrora dizia-se estar Lisboa edificada sobre sete colinas - Castelo, Graça, Monte, Santa Catarina, Penha de França, S. Pedro de Alcântara e Estrela -, mas, com o surto expansionista, sobretudo a partir de 1940, a cidade alastrou muito para além desses limites.

O topónimo Lisboa provém de Olisipo, nome que a povoação já possuía antes da ocupação romana, em 205 a.C., e cujo significado não está de todo esclarecido. Os Romanos chamaram à cidade Felicitas Julia.

O seu porto era frequentado por muitos povos de navegadores e comerciantes, até que, no século V, começou a sofrer invasões dos Bárbaros. Assim, em 419 foi saqueada pelos Godos, em 453 encontrava-se nas mãos dos Suevos, sendo sucessivamente ocupada por Visigodos, Suevos, Godos, novamente Visigodos, até à chegada dos Mouros em 714. A influência árabe deixou profundas marcas na cidade, já então chamada Olissibona, mas que os mouros denominavam Archbouna.

Situada em zona de intensa atividade sísmica, Lisboa sofreu violentos terramotos ao longo dos séculos, mas o mais desastroso foi o de 1 de novembro de 1755, data em que um sismo catastrófico, seguido de maremoto e incêndio, destruiu totalmente a zona ribeirinha da cidade. A Lisboa pombalina, tal como a conhecemos atualmente, nasceu das ruínas desse cataclismo e ficou a dever-se à visão e capacidade de decisão do Marquês de Pombal, que mandou reedificar a cidade, chamando para o efeito os melhores arquitetos e engenheiros de então: Eugénio dos Santos, Carlos Mardel e Manuel da Maia.

Quase todos os testemunhos arqueológicos da Lisboa antiga surgiram após o terramoto de 1755, limitando-se, no entanto, praticamente a peças pré-romanas de diversa índole, ao teatro e termas romanas sob a "baixa pombalina" e a alguns elementos arquitetónicos da época visigótica. Alguns bairros antigos, de que Alfama é o ex-libris, refletem ainda o modelo de urbanismo que remonta ao tempo da ocupação árabe. A Sé, romano-gótica, que sofreu acrescentos e remodelações ao longo dos séculos, terá sido construída a partir de uma mesquita, que entretanto ocupara o lugar de uma igreja visigótica. Góticos eram os primitivos conventos de S. Domingos e S. Francisco, com igrejas anexas, posteriormente remodeladas. Também gótico era o Convento do Carmo, em ruínas desde o terramoto de 1755.

Além destes monumentos, localizam-se em Lisboa mais algumas das mais preciosas joias da nossa arquitetura: o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e a fachada da igreja da Conceição Velha, em estilo manuelino, tendo os dois primeiros sido classificados pela UNESCO como Património Mundial; as igrejas de S. Roque e de S. Vicente de Fora, pertencentes à renascença jesuítica; do estilo barroco é a Igreja de Santa Engrácia, bem como a igreja e o convento da Graça; a Basílica da Estrela, por sua vez, é um exemplar do estilo barroco e neoclássico.

Além da "baixa pombalina", onde se inclui a majestosa Praça do Comércio, também são dignos de admiração o Castelo de S. Jorge (de origem anterior à fundação da nacionalidade), o monumental Aqueduto das Águas Livres, o Teatro de S. Carlos, o Teatro Nacional de D. Maria II, os Paços do Concelho e alguns palácios, como os de S. Bento, Belém, Necessidades e Ajuda.

Construções exemplares da evolução arquitetónica e urbanística do século XX são a Praça do Império, a Praça do Areeiro, a gare marítima de Alcântara, o Hospital de Santa Maria, a ponte sobre o Tejo, o edifício da Fundação Calouste Gulbenkian, o Palácio da Justiça, o conjunto das Amoreiras e o Centro Cultural de Belém.

Nos seus arquivos, bibliotecas e museus, Lisboa conserva tesouros artísticos e documentais de valor incalculável. Os principais arquivos são o Arquivo Nacional (Torre do Tombo), o Histórico Ultramarino, o Histórico-Militar e o da Marinha. As bibliotecas mais importantes são a Nacional, a da Ajuda, a Popular, a da Academia das Ciências e as das Universidades. Entre os seus muitos museus, salientamos o de Arte Antiga, o da Fundação Calouste Gulbenkian, o do Azulejo, o dos Coches, o Arqueológico, o de Arte Contemporânea, o de Artes Decorativas, o de Arte Popular, o de Arte Sacra, o do Trajo, o do Ultramar, o Etnológico, o da Marinha, o Militar e o dos Serviços Geológicos.

São muitos os monumentos que se encontram nos vários concelhos, dos quais se podem destacar, como exemplo, o Convento de Mafra, o Palácio Nacional de Sintra, o Palácio da Pena, o Palácio de Seteais, o Palácio do Ramalhão e o Castelo dos Mouros - estes três últimos também em Sintra -, a Cidadela e o Palácio dos Duques de Cascais, o Palácio Nacional de Queluz, a antiga Igreja Matriz da Lourinhã, entre muitos outros. Lisboa foi designada Capital Europeia da Cultura para o ano de 1994.

Tradições, Lendas e Curiosidades

Das festividades e feiras do distrito salientam-se: a feira mensal de Sintra; a feira Grande de S. Pedro, a feira dos Alhos e feira de Santo André, em Mafra; a feira do artesanato, no Estoril; as festas do Mar, em Cascais; as festas da Vila, em Sintra; e as festas do Colete Encarnado, em Vila Franca de Xira, entre muitas outras.

A festa popular mais importante de Lisboa é a de Sto. António, padroeiro da cidade, que se festeja na noite de 12 para 13 de junho. Organizam-se cortejos coloridos, representando os diversos bairros lisboetas, que desfilam pelas ruas mostrando os seus trajes típicos e entoando as suas canções populares. Sto. António é considerado o santo casamenteiro e é costume realizar-se no dia 13 o casamento coletivo das chamadas noivas de Sto. António.

Da tradição de Alenquer, salienta-se o chamado ritual antigo em que o gado é benzido pelo sacerdote de Meca em frente à igreja de Santa Quitéria. Alenquer é também o berço do historiador Damião de Góis.

Algumas figuras populares de Lisboa são os saloios - homens do campo, os galegos, os varinos, entre outros. Fazem parte de tradição das ruas de Lisboa as velhas e características profissões de rua, como o engraxador ambulante, o fotógrafo à la minute, o ferro-velho, o amolador, o ardina (jovem jornaleiro) e o barquilheiro; a maior parte delas já praticamente desapareceram, fazendo apenas parte do imaginário popular.

Antigamente, o rio Tejo era cruzado por fragatas do Tejo, varinas e botes leão. Neste distrito localiza-se o cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa.

O artesanato adquire diferentes expressões conforme os concelhos. No concelho de Cadaval produz-se louça artística, trabalhos em corda de nylon; em Alenquer, louças de barro, cantarias e mármore; em Torres Vedras destaca-se a indústria cerâmica; em Mafra e Sintra, cerâmica e cestaria e em Cascais, bonecos regionais, peças em conchas e confeções em pele.

Economia

Tem à sua volta uma cintura industrial que, no seu conjunto, constitui a maior concentração fabril do país. Aí trabalham muitos milhares de pessoas, que constituem parte do enorme núcleo populacional formado por Loures, Amadora, linhas do Estoril e de Sintra e, na outra margem do Tejo, Almada, Barreiro e Seixal.

Lisboa é também o mais importante polo turístico do País. Na sua área de influência ficam as praias de Carcavelos, Estoril, Cascais, Guincho, Praia das Maçãs, Praia Grande e Ericeira.

O setor terciário tem uma forte implantação no distrito, nomeadamente na cidade de Lisboa, que, pelo facto de ser a capital administrativa do país, reúne um conjunto de serviços ligados à administração central, ocupando uma percentagem significativa da população ativa.

É o primeiro centro ferroviário do País, possui um aeroporto de grande importância nacional e internacional (Portela de Sacavém), e o seu porto tem um movimento extraordinário de importações e exportações. Produz cereais, fruta, vinho e produtos hortícolas. Tem indústrias do ramo alimentar, química, de cimentos, de construção naval, metalo-mecânica, têxtil e de refinação.
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